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Fundamentos maiores de um Club do Gourmet
Histórico sobre os fundamentos maiores de um Club do Gourmet

Os velhos castelos rurais que tanto embelezavam as paisagens campesinas do mundo antigo, são considerados os berços das primeiras reuniões do Club do Gourmet, surgidas há séculos. Ao fim de árduas tarefas de trabalhos nos campos, famílias inteiras se reuniam com o intuito de festejar a colheita e traziam de suas casas diversos tipos de comidas e vinhos para que os vizinhos os apreciassem e aprovassem ou não.
Esses costumes, como que por encanto, disseminaram-se por todo o mundo, sem que alguém as tivessem divulgado, visto que naqueles tempos distantes as comunicações inexistiam. Nasciam, assim, os Club do Gourmet.

Fundamentos:

1 – O Club do Gourmet tem a finalidade maior de ensinas às pessoas o prazer da boa mesa.

2 – Qualquer comunidade com mais de 100 mil habitantes pode ter o seu Club do Gourmet, bastando para tal, um número mínimo de 7 (sete) casais, perfeitamente engajados com o compromisso da “Boa mesa”.

3 – Esta confraria não tem presidente, nem tesoureiro ou cadastro. Alguns casais agendam o contato dos colegas e uma semana antes do jantar, convidam e informam o tipo de menu que será servido naquela noite.

4 – As despesas são divididas entre os presentes. Em 2002, no nordeste brasileiro, por exemplo, o rateio de um jantar composto por entrada, prato intermediário, prato suite, sobremesa, vinho branco, vinho tinto e água mineral, girava em torno de R$ 70,00 por casal.

5 – Os menus mensais são elaborados sempre com o cuidado de não repetirem produtos e pratos de meses anteriores. Sendo assim, se a entrada é de saladas de folhas, sem molho, o prato intermediário pode ser um peixe com molho leve, de cor não gritante, para que o prato suite possa ter molho abundante de cor e sabor bem diferenciados dos servidos anteriormente. Não se pode, desse modo, servir um peixe com batatas naturais e em seguida filet mignon com purê de batatas.

6 – As sobremesas, divindades culinárias que foram incluídas em refeições pelas mulheres, devendo combinar com o tipo de prato servido na suite. Após uma massa de molho másculo, fortemente pronunciado, deve-se servir sobremesas leves. Se o prato suite for peixe ou frango, inclui-se uma sobremesa tipo torta de chocolate.

7 – Os discursos, tão pleiteados por políticos e jovens nos arroubos da juventude, não cabem em jantares de gourmets. Uma Carta-Cardápio, dissertando sobre o menu da noite, com descrição técnica breve, deve ser entregue aos presentes. Pela carta, são analisados os pratos que serão servidos.

8 – Vários prêmios rotineiramente são entregues nos Clubs dos Gourmets, como a Frigideira de Ouro (rico e bem trabalhado broche de ouro puro, em forma de uma panela com a letra G gravada) que, doravante, deve ser ostentado pelo gourmet recebedor em jantares e reuniões sociais importantes, pois o identificará pelo mundo inteiro. Em qualquer lugar, pela seu broche usado na lapela, um gourmet é reconhecido como Gourmet Internacional. A confecção de tal raridade é feita por um artesão de alta sensibilidade profissional, pois para ela, é transmitida toda a grandeza de “ser gourmet”, naqueles apenas dois gramas de ouro.

9 – Em cada mês de novembro de cada ano, o Club do Gourmet elege os melhores do ano. Aos vencedores são entregues o cobiçado Troféu São Benedito (o frade franciscano foi, em vida, exímio cozinheiro).

10 – Com a sequência de anos de frequência permanente no Club, o gourmet é analisado pelos mais antigos, a fim de receber a sua classificação técnica de acordo com as aptidões por ele demonstrada nos jantares. Se admira bons molhos, ele pode ser o saucier do Club.

11 – De acordo com o seu interesse, o gourmet pode almejar novos horizontes.

12 – Com 5 (cinco) anos ou mais de Club, com certa assiduidade, o gourmet se candidata à maior condecoração internacional, que é a De Coq d’or – “galo de ouro”, por seus inestimáveis serviços prestados a Gourmet Internacional. É o máximo que um gourmet pode almejar na sua missão de auxiliar as pessoas a aprenderem a comer bem.

13 – A Bíblia Sagrada – considerada o mais sábio dos livros, cita uma frase que se enquadra na filosofia do gourmet: “Uma Nação é reconhecida pelo que ela se alimenta”. Neste contexto se inclui, também, o vinho, pois na Santa Missa o celebrante se serve de uma pequena dose de vinho puro junto à hóstia sagrada.

14 – É importante que os menus sejam programados por regiões. Por exemplo, um mês elege-se a cozinha mineira, no outro a cozinha baiana e assim por diante. Quando o Clube estiver mais experiente, surgirão as cozinhas da França, Espanha, Itália, Portugal, China, Grécia, entre outras. É importante se criar arquivos dos pratos servidos para não se repetir os mesmos nos meses seguintes.

15 – O importante nos Club do Gourmet é que nestes, ninguém ocupa lugar de destaque. Todos são iguais, com mesmos níveis de prazer e de trabalho. Geralmente, os casais componentes desta confraria, tem níveis profissionais diferentes, a fim de integrar a comunidade. O que não impede, porém, de possuir 2 (dois) ou mais médicos, engenheiros, empresários.

16 – É igualmente importante que os casais levem aos eventos do Club pessoas jovens, para que estas se tornem pessoas educadas gastronomicamente, evitando assim, o consumo de alimentos como sanduíches, refrigerantes e doces, não candidatando-se assim a serem pessoas obesas e com problemas de saúde.

17 – Não é preciso ser rico para ser um gourmet. Para integrar o grupo, é necessário que as pessoas tenham apenas sensibilidade.

18 – Nem sempre uma comida cara produz um prato gostoso. Depende e muito da capacidade da pessoa que prepara o prato.

19 – Conta uma lenda que certa vez um maître, de família de recursos financeiros limitados, desposou uma bela jovem, vinda de um mundo de riquezas. Tudo o que ela preparava na cozinha, apesar de serem refinados pratos, não agradava ao jovem esposo. Certo sábado ela foi, às escondidas, a feira do seu bairro e comprou muitas sobras de alimentos sadios. Fez com esse amontoado de fim de feira, um cozido rude e serviu no domingo ao marido. Ao saborear as primeiras garfadas, o maître levantou-se vibrando ardentemente e exclamou: “- Querida, que comida maravilhosa! Tenho certeza que a mamãe passou hoje por aqui!”. A velha mãe preparava deliciosos pratos com mercadorias baratas.

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